Multas Mais Comuns para Motociclistas: Tipos de Auto de Infração e Como Recorrer

Os motociclistas representam uma parcela significativa do trânsito brasileiro e, por conta das particularidades da condução em duas rodas, estão sujeitos a infrações específicas que outros condutores não enfrentam. Conhecer as multas mais comuns para motociclistas é essencial para evitar autuações e saber como se defender quando receber uma notificação indevida.

Neste guia completo, apresentamos os tipos de auto de infração mais corriqueiros que afetam motoqueiros, os valores atualizados, a pontuação na CNH, e as principais teses de defesa para cada situação. Se você é motociclista profissional ou utiliza a moto como meio de transporte, este artigo vai ajudá-lo a proteger sua habilitação.

Por que motociclistas recebem mais multas?

Diversos fatores contribuem para que motociclistas sejam mais autuados no trânsito:

  • Exposição no trânsito: por transitarem entre veículos, ficam mais visíveis para agentes e equipamentos de fiscalização
  • Infrações específicas: o CTB possui dispositivos exclusivos para motociclistas (Art. 244 e seguintes)
  • Uso profissional: motoboys e motofretistas passam mais horas no trânsito, aumentando a probabilidade de autuação
  • Fiscalização eletrônica: radares e câmeras capturam infrações como excesso de velocidade e avanço de sinal com frequência

Infrações mais frequentes para motociclistas

Confira as multas mais aplicadas a condutores de motocicletas, com os valores atualizados e a pontuação correspondente:

InfraçãoArtigo CTBGravidadeValor (R$)Pontos
Conduzir sem capaceteArt. 244, IGravíssima (x5)R$ 880,417
Passageiro sem capaceteArt. 244, IGravíssima (x5)R$ 880,417
Pilotar com apenas uma mãoArt. 244, IIGravíssimaR$ 293,477
Transportar criança menor de 10 anosArt. 244, VGravíssimaR$ 293,477
Excesso de velocidadeArt. 218Média a gravíssimaR$ 130,16 a R$ 880,414 a 7
Escapamento com ruído acima do permitidoArt. 230, XIGraveR$ 195,235
Farol apagado durante o diaArt. 250, IMédiaR$ 130,164
Falta de viseira ou óculos de proteçãoArt. 244, IGravíssima (x5)R$ 880,417
Ultrapassagem pela direitaArt. 211MédiaR$ 130,164
Avanço de sinal vermelhoArt. 208GravíssimaR$ 293,477

Detalhamento das infrações mais comuns

1. Conduzir sem capacete (Art. 244, I do CTB)

Esta é a infração mais conhecida entre motociclistas. O capacete deve ser certificado pelo INMETRO, estar devidamente afivelado e possuir viseira ou o condutor deve utilizar óculos de proteção. A penalidade é gravíssima com multiplicador x5, gerando multa de R$ 880,41, 7 pontos na CNH, suspensão do direito de dirigir e retenção do veículo até a regularização.

Teses de defesa: capacete em uso mas com viseira levantada momentaneamente; ausência de prova fotográfica clara; erro na identificação do condutor; vício formal no auto de infração.

2. Excesso de velocidade (Art. 218 do CTB)

As motocicletas, por serem mais ágeis, frequentemente são autuadas por excesso de velocidade. A infração varia conforme a porcentagem excedida: até 20% acima é média (4 pontos), entre 20% e 50% é grave (5 pontos), e acima de 50% é gravíssima com multiplicador x3 (7 pontos).

Teses de defesa: falta de aferição ou calibração do equipamento; ausência de sinalização de velocidade; margem de tolerância não aplicada corretamente; irregularidades nas provas fotográficas.

3. Escapamento irregular / ruído excessivo (Art. 230, XI do CTB)

A alteração do sistema de escapamento é extremamente comum entre motociclistas. O CTB prevê que o veículo deve atender aos limites de ruído estabelecidos pelo CONAMA. A fiscalização deve ser feita com decibelímetro calibrado, e a simples constatação visual pelo agente pode ser questionada.

Teses de defesa: ausência de medição com decibelímetro; falta de laudo técnico; equipamento de medição sem certificado de calibração válido; escapamento original de fábrica.

4. Farol apagado durante o dia (Art. 250 do CTB)

Desde 2016, é obrigatório manter o farol baixo aceso durante o dia para motocicletas (Lei nº 13.290/2016). Muitas motos possuem farol automático, mas em modelos mais antigos o condutor precisa acender manualmente. Saiba mais sobre multa por farol apagado.

Teses de defesa: defeito mecânico comprovado; lâmpada queimada durante o trajeto; motocicleta com DRL (luz diurna) em funcionamento; erro do agente na identificação.

5. Pilotar com uma mão no guidão (Art. 244, II do CTB)

Conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor sem segurar o guidão com ambas as mãos é infração gravíssima. Essa autuação é frequente entre motoboys que transportam mercadorias ou utilizam o celular durante a pilotagem. Confira sobre multa por celular ao volante.

Teses de defesa: sinalização de conversão com o braço (permitida pelo CTB); ausência de registro fotográfico; impossibilidade de comprovar a infração.

6. Transporte irregular de passageiro ou carga

Transportar passageiro em motocicleta sem o equipamento lateral de proteção de pernas (Art. 244, III), transportar criança menor de 10 anos (Art. 244, V), ou realizar transporte remunerado sem autorização também geram autuações frequentes.

Teses de defesa: erro na idade estimada da criança; equipamento de proteção presente mas não identificado pelo agente; autorização de transporte válida.

Como recorrer de multas de motocicleta: passo a passo

O processo de recurso para multas de moto segue as mesmas etapas de qualquer recurso de multa no Detran:

  1. Identifique a infração: leia atentamente a notificação, verificando artigo, data, hora, local e dados do veículo
  2. Reúna provas: fotos, vídeos, testemunhas, laudos técnicos, comprovantes de manutenção do veículo
  3. Verifique vícios formais: erros no auto de infração como placa incorreta, local errado, ausência de assinatura do agente
  4. Apresente Defesa Prévia: dentro do prazo da notificação de autuação
  5. Recurso à JARI: caso a defesa prévia seja indeferida, recorra em 1ª instância
  6. Recurso ao CETRAN: última instância administrativa, com prazo de 30 dias

Prazos para recurso

FasePrazoDestinatário
Defesa PréviaIndicado na notificação (geralmente 15 dias)Órgão autuador
1ª Instância (JARI)30 dias após notificação de penalidadeJARI do órgão
2ª Instância (CETRAN)30 dias após resultado da JARICETRAN/CONTRANDIFE

Dicas práticas para motociclistas evitarem multas

  • Mantenha sempre o capacete afivelado com viseira ou óculos de proteção
  • Verifique regularmente o funcionamento do farol e das lanternas
  • Não altere o escapamento sem certificação do INMETRO
  • Respeite os limites de velocidade, especialmente em vias monitoradas
  • Mantenha a documentação em dia: CNH, CRLV e seguro obrigatório
  • Nunca transporte crianças menores de 10 anos em motocicleta
  • Use equipamento completo: luvas, jaqueta, botas e proteção para pernas do passageiro
  • Saiba quantos pontos tem na CNH para evitar a suspensão

Multas específicas para motoboys e motofretistas

Profissionais que utilizam motocicleta para trabalho estão sujeitos a regras adicionais previstas na Lei nº 12.009/2009 e regulamentações do CONTRAN:

  • Curso especializado: é obrigatório o curso de formação para motofretista com carga mínima de 30 horas
  • Baú ou caixa: o transporte de mercadorias deve ser feito em equipamento homologado, fixado na parte traseira
  • Identificação: o veículo deve ter identificação visual do serviço de motofrete
  • Equipamentos obrigatórios: além do capacete, são exigidos proteção para pernas (mata-cachorro), antena corta-pipa e adesivos refletivos

O descumprimento dessas obrigações pode gerar multas adicionais e apreensão do veículo. Muitas dessas autuações, porém, apresentam vícios formais que permitem a defesa administrativa.

Legislação aplicável

  • Art. 244 do CTB: infrações específicas para motocicletas
  • Art. 218 do CTB: excesso de velocidade
  • Art. 230, XI do CTB: ruído excessivo
  • Art. 250 do CTB: farol apagado
  • Art. 208 do CTB: avanço de sinal vermelho
  • Art. 211 do CTB: ultrapassagem pela direita
  • Lei nº 13.290/2016: obrigatoriedade do farol aceso durante o dia
  • Lei nº 12.009/2009: regulamentação do motofrete e mototáxi
  • Resolução CONTRAN nº 453/2013: equipamentos para motocicletas

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