Multa por Veículo em Mau Estado de Conservação: Como Recorrer

A multa por conduzir veículo em mau estado de conservação está prevista no Art. 230, inciso XVIII do CTB. Mas a autuação exige prova material clara do defeito e descrição objetiva no auto. Falhas formais, ausência de fotografia ou descrições genéricas podem anular a multa. Entenda a lei e construa sua defesa com segurança.

O que diz o Art. 230 do CTB

O Art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro relaciona condutas referentes ao estado e equipamentos do veículo. O inciso XVIII trata especificamente da conservação:

"Conduzir o veículo: XVIII - em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, ou reprovado na avaliação de inspeção de segurança e de emissão de poluentes e ruído, prevista no art. 104."

O elemento central da norma é o comprometimento da segurança. Sem esse nexo demonstrado, a autuação perde sustentação legal.

Valor, pontos e classificação

ItemDetalhe
GravidadeGrave
Valor da multaR$ 195,23
Pontos na CNH5 pontos
Medida administrativaRetenção do veículo para regularização
Base legalArt. 230, XVIII do CTB

O que caracteriza "mau estado de conservação"

Não basta o veículo estar antigo ou com pintura desgastada. A lei exige defeito que comprometa a segurança do trânsito. Exemplos típicos:

  • Lataria com partes soltas, oxidação severa ou perfurações que afetem a estrutura.
  • Para-choques, retrovisores ou faróis pendurados, quebrados ou ausentes.
  • Pneus carecas (TWI exposto), com bolhas ou cortes profundos.
  • Vidros trincados que comprometam a visibilidade do condutor.
  • Escapamento solto, perfurado ou com ruído excessivo.
  • Vazamento visível de óleo, combustível ou fluidos.
  • Sistema de iluminação ou sinalização inoperante.

Exigências de vistoria e prova material

A jurisprudência exige que o agente autuador descreva de forma objetiva o defeito e, sempre que possível, documente com fotografia. Isso porque o conceito de "mau estado" é subjetivo e precisa ser comprovado:

  • Descrição específica: o auto deve indicar QUAL defeito foi constatado (não apenas "veículo em mau estado").
  • Prova fotográfica: fundamental para defeitos visíveis, garante o contraditório e a ampla defesa.
  • Laudo técnico: exigível para defeitos não evidentes (mecânicos, estruturais internos).
  • Inspeção veicular: quando a autuação se baseia em reprovação na inspeção do Art. 104, o laudo deve acompanhar o auto.

Principais teses de defesa para anular a multa

  1. Descrição genérica do defeito: autos como "veículo em mau estado" sem especificação são nulos por violação ao Art. 280, V do CTB.
  2. Ausência de prova material: exigir fotografia ou laudo que demonstre o defeito alegado. Sem prova, a autuação é insustentável.
  3. Defeito inexistente ou já reparado: juntar nota fiscal de reparo, laudo de oficina ou fotos atuais comprovando boas condições.
  4. Falta de nexo com a segurança: defeitos estéticos (pintura, arranhões) não comprometem a segurança e não se enquadram na norma.
  5. Erro formal no Auto de Infração: divergências em placa, modelo, cor, local ou horário tornam o auto nulo (Art. 280 CTB).
  6. Notificação fora do prazo: a NA deve ser expedida em até 30 dias (Art. 281, § único, II CTB). Fora do prazo, há nulidade.
  7. Ausência de identificação do agente: matrícula e identificação são requisitos formais, sob pena de nulidade.

Passo a passo para recorrer

  1. Receba a Notificação da Autuação e confira todos os dados.
  2. Fotografe o veículo logo após a autuação, mostrando o estado real (incluindo o item supostamente defeituoso).
  3. Se houver defeito real, providencie o reparo e guarde nota fiscal e laudo de oficina.
  4. Solicite ao órgão autuador, via protocolo, cópia da fotografia e do laudo que embasaram a autuação.
  5. Elabore a Defesa Prévia (1ª fase) com base nas teses acima.
  6. Se indeferida, apresente Recurso à JARI (2ª fase) no prazo de 30 dias da NP.
  7. Em caso de novo indeferimento, recorra ao CETRAN (3ª fase).

Conclusão

A multa do Art. 230, XVIII exige prova clara e descrição objetiva do defeito que comprometa a segurança. Autuações genéricas, sem fotografia ou laudo, são alvos comuns de anulação. Se você foi autuado de forma injusta, reúna evidências do real estado do veículo e construa uma defesa técnica fundamentada — é seu direito contestar autuações que não obedecem aos requisitos legais.

Perguntas Frequentes

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